sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Irmãos Catita - Moçambique é Portugal

Porventura, a melhor canção do mundo!: A Favola da Medusa - O Eusébio é um Pão



Excerto da actuação acústica "Tropa Fandanga - Parte II"
@ Bartleby, LX, 15 Jun 2012
Ana Isabel Dias - viola
Eduardo Madeira - viola
Filipe Homem Fonseca - viola
Miguel Martins - poema

Sónia Montenegro - setar


BEAT
(Com um abraço para o Miguel Martins)

Ginsberg!
Na américa nada mudou!
Apesar dos teus avisos e das mil profecias que lhe entregaste.
Tudo continua ridículo no país que tanto te ofendeu.
Corso continua à deriva na procura desvairada tentando encontrar uma plantação digna da sua generosidade.
Snyder deixou de ser um monge respeitado mesmo não tendo corrido bem a impressão de haikus na reader's digest.
Diane di Prima  e as suas longilíneas meias de vidro enforcam agora as memórias da beat com “mais ou menos poemas de amor”.
Ferlinghetti tenta fazer o que pode emoldurando “os dias tranquilos”.
E eu próprio para lá caminho.
Allen, tenho todos os seus poemas guardados num saco cama sempre pronto a desafiar-me.
Continuo a entrar nos supermercados sem que alguém reze pela minha beleza.
Compro assim o que falta usando um cartão de crédito made in china.
Pago as contas com euros sediados num off shore que continua a fazer-me a vida ainda mais preta.
Nas ruas vejo tantas pessoas deitadas ao lado dos contentores do lixo que comem depois dos ratos saciarem o apetite.
Ginsberg, a américa está como sempre perigosamente parecida com o outro mundo.
E isso e os russos ainda o tornam pior.
Ginsberg, toda a gente escreve palavras numa articulada mania que dizem ser poesia.
Aprenderam nos compêndios que lhes oferecem doutoramentos tirados nas máquinas das fotografias onde perdemos a identidade.
Allen, morre-se assim sem dar por ela, embora ninguém vá ao seu funeral.
Nunca estive na City Lights mas quando lá chegar serei imediatamente cumprimentado pelo Lawrence.
O mundo continua a fugir do meu sonho e desatento como é, tenta polvilhar os seus poemas como se isso pagasse o respeito que nunca mostraram.
O Carrol já não tem saudades do pai e ocupa agora os feriados entregando porta a porta embalagens de poesia sem consignação.
Ginsberg, este universo é cruel apesar de tudo o que tenho oferecido
Tenho a uretra infectada com pus e uma fricção contagiosa que me controla a alma e o Robert Saggese tem “um pássaro na palavra” e está demasiado esquecido para a salvar.
Allen, tomam conta de mim agora anjos que nunca pedi.
E fazem picnics no Central Park com a bandeira do goldman sachs estendida e olham de soslaio todas as minhas expectativas.
Ouço em semitom a música das sirenes que encharcam a minha ruína e Frank O´Hara continua preocupado com “a crise da indústria cinematográfica”.
Morre-se em qualquer lugar sem hora combinada sem culpa formada e sempre nos apanham desprevenidos e esta é “a proposta imoral” escrita por Robert Creeley.
Allen, a vida é o cemitério do medo com orações take away gravadas em lápides onde se mente aqui jaz um homem bom.
A melancolia cega a beleza dos meus olhos perdidos de volta no espelho, onde costumava ver-me enferrujado como os nós do arame farpado, pejado de retratos desconhecidos balançando uma “melodia para homens casados” gingada nas ancas da Lenore Kandel.
E a noite chega atrapalhando o festim do fim do mundo, que acontece todos os dias em que não somos capazes de nascer. E Ron Loewinsohn continua a gritar “contra os silêncios que estão para vir”.
Allen, sou observado por um drone não identificado e só tento esconder a denúncia nas folhas que guardo num mealheiro que roubei na igreja dos últimos dias dos santos sem piedade.
Estou farto de ver gente feliz sem qualquer motivo e com orgulho menstruado pela miséria que espalham.
Mas este passadiço não tem limite e eu acabo por adormecer sempre com a estrela errada na cabeça.
Koller tenta acalmar-me oferecendo um tapete de “ossos & penas   Pele e Asas  no chão”.
Allen, preciso de uma ligação pré-paga para o paraíso artificial.
Pretendo pedir asilo temporário para a minha solidão. Mas ninguém se interessa pelo meu horário, embora ele não tenha os dias sempre tristes.
Allen, estive numa concentração budista em que um monge flipado danificou o meu drama.
Frequentei aulas de yoga com uma bailarina atenciosa que só bebia iogurtes fora de prazo.
E até deus sabia o quanto eu detesto esta forma de orientação.
E assim fui até ao fim do mundo ainda com um fardo mais pesado.
Perco-me no significado das eloquências mal frequentadas que mais parecem elogios fúnebres acompanhados pela dança de carpideiras hawaianas, que me puseram no pescoço um colar de flores putrefactas e agora entretenho-me nas horas de ponta a espalhar o seu perfume nos urinóis mais utilizados pela opinião pública.
Tenho uma postura sisuda e nada simpática para não me confundirem com o namorado da barbie.
Volto ao lugar para ouvir o discurso do velho corvo de asas metalizadas e língua prenhe da única sabedoria. Fala-me do degelo da humanidade e dos medos que tanto a ferem.
Então digo-lhe que estou pronto.
Eu sei que ele me levará aos demónios.
Allen, não quero este caminho que a solidão comodamente instalada no sofá pensa cativar-me.
Actualizo-me num sequestro sereno na chegada do momento de abraçar manuscritos pacientes que decoram as sombras do silêncio numa modernidade de estátuas com olhares distantes.
Este universo é cruel apesar de tudo o que tenho tentado.
Estou cansado de esperar nas escadas do paraíso com a chave errada.
Tenho uma coleira certificada, anti tudo mas que não funciona.
Tomam conta de mim agora poetas tão tesos como eu. E afiam no nobre golpe da navalha a memória enlouquecida
Aparo pétalas demasiado parecidas com gotas de sangue.
Já não penso no que teria ter sido nem nos milagres que tentavam vender-me na feira das onze dos domingos.
Aplainei virtudes diferentes nos anos que só a mim pertenceram e alinhei nas propostas condizentes com a minha pretensão.
Colhi nesta estrada frutos nunca imaginados por quem de mim só pensou o que não me conhecia.
Continuo um curioso sem complexos o que me torna um aprendiz interessado.
Ginsberg!
Também tenho um grito!
E um frio tremor nas mãos que me tempera angústias desesperadamente sós.
Ginsberg!
O mundo nunca vai encontrar o caminho.






2016,09aNTÓNIODEmIRANDA

(Obrigado, André).


(Obrigado, Galego).


(Obrigado, Galego).

Happiness








Poesia às Quintas – com Miguel Martins – 203ª sessão – Bar a Barraca – 6 de Outubro – 22.30h – entrada grátis

Patrícia Baltazar – poeta, vencedora de duas Grandes Noites do Fado e Miss Portugal 1998 – lê Jorge de Sena.

Quem não aparecer é porque acha que candidíase é uma forma grave de ingenuidade.

Ontem, n'A Barraca, perante uma audiência de 15 pessoas
(foto: Maria Olívia Santos).

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Vocês sabem: não vos amo, porque não sei amar
gente viva. Contudo, quando os vossos hálitos de álcool
me resvalam no ombro e sobem as narinas, há nisso um conforto
indispensável à manutenção dos serviços mínimos
da minha respiração simultaneamente voraz e dúctil. Então,
fico-me escutando-vos ou venho-me pelos poros inviolados,
anteriores ao entendimento e à usura. E mantenho-me de pé,
ou sentado, ou deitado, ou vivo, ou morto,
em qualquer caso com um sorriso estúpido nos lábios
e uma pequena incerteza, feita de grandes dúvidas, a aflorar-me
a nuca em forma de guindaste.
                                                          Nisto, creio, assemelho-me a todos
os civis mortos em guerras alheias por inércia própria
e, bem assim, às flores de jarra, em casas de velhice e de desânimo.
Nunca me achei incapaz de fazer o que não sei, nem capaz
do exacto contrário disso. Bebi leite a fazer o pino, mas só consegui
vomitar de cada vez que me pediram para recordar os meus amores
dúcteis e vorazes. Sou esta coisa, este grão incolor, no imenso
deserto do animismo planetário. E estou de pé,
ou sentado, ou deitado, ou vivo, ou morto.


Miguel Martins
27/09/2016

Visto hoje


"The Money Trap" (1965), de Burt Kennedy.

Visto hoje


"The Charge of the Light Brigade" (1968), de Tony Richardson.

Henry BORDEAUX



Né à Thonon-les-Bains, le 25 janvier 1870.

Fils d’avocat, Henry Bordeaux perpétua la tradition familiale et fit des études de droit, à Paris. Licencié ès lettres et en droit, il s’inscrivit en 1889 au barreau de Thonon. Après avoir exercé pendant quelques années à Paris, puis dans sa ville natale où l’avait rappelé la mort de son père, il choisit à partir de 1900 de se consacrer aux lettres, et entama une brillante carrière de romancier.

Ses nombreux romans, parmi lesquels on compte notamment Le Pays natal (1900), La Peur de vivre (1902), La Petite mademoiselle (1905), Les Roquevillard (1906), Les Yeux qui s’ouvrent (1908), La Croisée des chemins (1909), La Robe de laine (1910), La Neige sur les pas (1911), La Maison (1913), La Résurrection de la chair (1920), La Chartreuse du reposoir (1924), La Revenante (1932), s’inscrivent dans la lignée de ceux d’un Paul Bourget, à qui il écrivit : « Il me semble que si, quelque lien rattache mes romans les uns aux autres, ce lien serait le sens de la famille ».

Les romans d’Henry Bordeaux, qui pour la plupart ont pour cadre sa Savoie natale, sont en effet un hymne sans cesse renouvelé à la famille et aux valeurs traditionnelles, religieuses et morales, dont elle est la garante.

On doit également à Henry Bordeaux, des recueils de contes et nouvelles, et plusieurs essais critiques. Il rédigea enfin ses mémoires, parus en 11 volumes de 1951 à 1966, sous le titre Histoire d’une vie.

Henry Bordeaux fut élu à l’Académie française, le 22 mai 1919, au fauteuil de Jules Lemaître, par 20 voix au premier tour. Déjà candidat à ce même fauteuil contre Abel Bonnard, l’année précédente, il n’avait obtenu que 13 voix et le scrutin s’était soldé par une élection blanche. Henri de Régnier le reçut, le 27 mai 1920.

Henry Bordeaux devait siéger à l’Académie française pendant plus de quarante ans et en devenir le doyen d’âge et d’élection. Il reçut sous la Coupole nombre de ses confrères : Henri Brémond en 1924, Louis Madelin en 1929, Charles Le Goffic en 1931, Georges Duhamel en 1937, Charles Maurras en 1939, René Grousset en 1947.

Henry Bordeaux a laissé de son passage quai Conti un témoignage intitulé Quarante ans chez les quarante.


Mort le 29 mars 1963.

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(Obrigado, Changuito).